Te comprei um girassol

Te comprei um girassol. Era um dia importante, iria te ver. Queria comemorar esse dia importante. Te comprei um girassol, porque gosto dos dias em que te vejo. Os dias que estamos juntos são como sempre como pequenas vitórias para mim. Porque vencemos o improvável, a falta, as crises, as adaptações, os tempos, o medo. Porque sim, vencemos. Por isso me alegro e gosto dos dias em que te vejo. Por isso estar com você é algo que eu estava recuperando, e isso deixava o meu coração feliz. Me deixava feliz ser a pessoa que te traria flores no final de semana, só por mais um mês. Flores não, um girassol. Te comprei um girassol. Era extremamente significativo pra mim estarmos juntos. Resolvi me expressar de uma forma que há muito passei a ter medo de expressar. Eu sentia um determinado prazer em arriscar, sabe? Era um grande passo na guerra contra o que estava a nos separar. Me senti confiante, como não me sentia há um tempo. Eu te presentearia pelo amor que você me tem, com um carinho bobo, pretensioso talvez, mas esforçado e sincero. Eu te presentearia com uma flor. Te comprei um girassol. Confesso que fiquei muito feliz com a ideia. Te retribuiria a felicidade que senti quando me mandou os desafiadores lírios, que significou muitíssimo na minha decisão de permanecer ao seu lado e perceber que já havia aceito o desafio muito antes, no nosso combinar perfeito de corpos, e nas palavras de falta que mostravam que era essencial que estivéssemos juntos, e que eu fizesse parte de um mundo que não era meu, mas que se construia para você. Eu queria estar junto, só isso. Como nos crepes da praça do papa, na nossa escada, nas lasanhas de madrugada, nas cidades históricas em espanhol, nas nossas viagens de última hora... queria estar novamente junto. Estar junto era aquilo por tudo que eu batalhava, e cuja previsão me fazia tão feliz hoje. Feliz porque era o dia que eu te daria um girassol, e isso fazia o dia, por si só, muito importante. Te comprei um girassol... sabia?

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