"Anos atrás, na França, vi numa papelaria um anúncio: 'Encadernamos memórias.' Bonito aquilo de encadernar coisa tão impalpável. Mas é claro que se referiam a escritos. Lembro de ter pensado que era preciso haver muita gente escrevendo suas memórias, e querendo dar a elas solidez de encadernação, para que se pudesse um aviso semelhante numa pequena papelaria. E me alegrei. Já estou na idade de saber o valor de uma biografia, qualquer biografia. Quando alguém se aproxima de mim e, depois de uma breve confidência, segreda: 'a minha vida daria um romance', concordo de pronto, mesmo sem conhecer o conteúdo. Pois sei que toda vida dá um romance. E, dependendo do autor, em vários volumes."
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