Se eu pudesse lhe dizer com uma palavra o que eu sinto agora, teria apenas uma certeza: haverei de discordar mais tarde. É simples assim, e tão complicado que uma única palavra estaria (possivelmente, pois senão novamente entraria em contradição, caso contasse com a certeza) fadada à posterior refutação. Seria uma insinceridade, ou até pior, seria de má-fé da minha parte não admiti-lo. O desequilíbrio entre a auto-suficiência da plenitude de afirmar a felicidade dependente apenas de um individual e particular estado de espírito e a carência máxima do desespero contido da necessidade de um abraço nunca talvez me foi tão evidente. A batida que alterna entre o passado e o futuro, a nostalgia e a esperança está descompassada, e o atual, o presente, o personificado aqui e agora se perde nessa dança desritmada. E não menos importante que as outras, se mostra mais uma vez minha querida oposição - o abraço da tensão da intensidade me envolve e abarca todo o meu ser, forçando a minha alma à mais completa e baixa submissão e mesmo que por um único instante anseia, mesmo escondido, pelo beijo do alívio, se degladia com o seu imponente recém-revelado fantasma da pureza, do desejo mais belo e doce que me assombra com o uivo de maior suavidade que se pode imaginar. Nessa batalha se apoiam todos os meus desejos, pensamentos e ações, e aquilo que me guia, minha mão condutora, treme, tropeça, mal faz mais que balbuciar uma ordem, tão logo quanto me ordena a abandoná-la e quando muito, consegue, depois de muitos rounds, chegar à sua primeira quase certeza: a verdade de que, defronte a constatação dessa constante alternância de pretensos vencedores, o juiz é levado a querer, despretensiosamente, declarar o empate.
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2 comentários:
tem um axé que fala sobre isso.
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