Contra qualquer simbologia (ou talvez mais a favor que à primeira vista) que eu poderia utilizar para justificar esse momento alego: quero Letícia, não Caio. Tenho necessidade sim de expurgar tudo aquilo que carrego dentro de mim e que pouco quero, e que me faz mal e me corrói aos poucos, uma necessidade de purificação quase catártica que me traz aqui, para esse texto, para esse momento. Mas não aguento mais Caio, não aguento mais o profundo, o submerso, o pútrido, o indecente, o nojento. O fundo do mar não tem mais que ser escuro. Por que não um processo de cura, de revitalização, de emersão que seja tingido dos mais claros azuis? O azul por si mesmo já contém tudo que uma semiótica das tonalidades poderia me oferecer, independentemente de sua tonalidade. Reinvindico, nesse instante, mais Letícia, tentando, quem sabe, inaugurar na própria reinvindicação até o primeiro passo vermelho-escuro contido nela própria (Desculpe-me pelo roubo de imagens, Caio). Contra todo o passado, contra toda a nostalgia, contra todo o desespero que se dissolve somente para se difundir e tomar conta de tudo ao recurso do que já foi ser, escrevo novamente. Aceito tanto quanto inauguro a mudança, mas não a mesma mudança, proponho a mim mesmo a mudança da própria mudança e espero com isso achar um pouco de esperança. Entre o tempo inerte e a atitude pretensiosa, tento encontrar o agora exatamente no entremeio, um pouco ainda sem-sentido, com pouca convicção até, mais caótico que nunca talvez. Me vejo então por fim, de volta a Caio, num movimento próximo do de ontem, do do ontem, mas contudo, contrariando Caio no seu último reduto: o meu caos, nesse momento, não é compreensão: é, mesmo que tentativa, mesmo que do mesmo, reinvenção.
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