Eterno Pierrot (V)

~

O sol se põe. O sol se põe, e a brincadeira se esvai. Um dia a brincadeira tem de cessar. A brincadeira cessa, a música abaixa, a dança pára, e o sol se põe. O rio não mais corre, o vento não mais sopra, e as árvores não mais crescem. Se algo um dia começa, outro dia acaba. Se numa hora o sol se levanta, noutra ele se põe. E o vento não mais sopra, e a dança pára e a brincadeira cessa. E a maquiagem borra. E o olho se fecha.

Quando o sol se põe, o olho não quer mais abrir.

~

1 comentários:

Anônimo disse...

A brincadeira começa, e a música, ah, será que dá pra aumentar? O sol se põe, mas a gente espicha o dia com alguma imaginação e lampiões de baleia e vaga-lumes safados. O sol se punha, hoje ele dança e abaixa e não pára. A brincadeira começa e não tem ‘altas’ ou ponto final.
A gente continua, sopra e cresce.

E fechamos os olhos, às vezes, porque o escuro também quer brincar.