Medos e Fins

Hoje, depois de tanto tempo, acho que sinto medo. É como se mais uma vez eu soubesse, com apenas o mínimo de antecipação, que o meu mundo está para ruir. Construído pouco a pouco, com nada mais do que uma idéia daquilo que eu queria que fosse, ele se apresenta para mim, completo, em seu último adeus. Não poderia ser de outra maneira. A completude depende da finitude, e sábio, muitas vezes, é aquele que sabe reconhecer a perfeição da realidade. Contudo, o meu todo parece exigir muito mais que o limite, e não sabe reconhecer-se a si mesmo antes de chegar ao fim. Fim que parece simplesmente representar a inevitabilidade de um sistema. Medo que já me apareceu na forma dessa inevitabilidade, e que hoje é apenas uma metáfora daquilo que se esvai. Aliás, é a personificação desse fim, e de tudo aquilo que estaria por vir depois dele. Como eu queria que fosse um fim como um outro. O medo vem para suprir o vazio da esperança que não veio. Retiro-me, por fim, deste eu que eu criei e de forma tão serena aprendi a ser. Por fim, mais uma vez, foi o medo não chegou ao fim.

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