Eterno Pierrot (III)

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Há muito já, deixei de pensar. Pra que pensar, se você pode amar? Sou a representação pura da emoção, desprezando tudo aquilo que dela possa não fazer parte. Um palhaço jovem só sabe amar. Amar a arte, amar a música, amar a vida, amar o amor. E nesse ciclo louco, eu me deixo passar. Há muito já, deixei de sentir. A emoção, de tão presente, nunca é suficiente. Sinto tanto, que não sinto mais. Brinco tanto, que não brinco mais. Amo tanto, que não amo mais. Há muito já, deixei de existir. Continuo então brincando de amar. Duvido que exista alguma brincadeira mais divertida que o amor. Nunca como hoje, a brincadeira me toma por completo. Não sendo mais meu dono, eu me deixo passar. 
E, desaparecendo, eu me deixo passar.

Há muito já, eu me deixo passar.

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