Talvez

Poucas pessoas no mundo poderiam dizer que sentiram o que me passa agora. Por falta de palavras mais apropriadas, depois de uma pequena reflexão, esta talvez seja a melhor definição para aquilo que tentei transparecer. Uma paz criativa. Desesperadamente alheia à antagônica paixão que normalmente acompanha o epíteto, sinto dessa vez, e talvez pela primeira vez, paz – e um quê de criação. Arriscaria dizer até que sinto o extremo oposto do conhecido rubro, e que, imagine só, a paz lhe seja talvez o complementar diametral. O vôo, imagino eu, pode ser o contrário da afirmação. Em outros tempos, existiria quem sabe uma frase forte e marcante, com a qual eu me impusesse e desenhasse em demasiada densidade o meu âmago e a minha produção. Mas dessa vez, arrisco dizer que dissolvo. Ignoro a realidade aos poucos, tentando me concentrar em meus poucos meios e ínfimo treinamento, no meu próprio, único e diverso processo de criação. Único e diverso talvez, não só pelas tão batidas individualidade e subjetividade, mas desta vez – e, obviamente, não só desta vez, pela natureza própria do tempo-espaço. Procuro as palavras que me servem e o tom que acredito que mais me apraz, sem perceber que é possível que desta vez o segundo me fuja completamente. Sinto paz, mas não sei se escrevo paz. Que pena. Contento-me em saber que crio. Nasce aqui, em meio a tanta paz, o meu primeiro talvez.

Um comentário:

Feliploko disse...

"Talvez"

Demorei um pouco pra achar o link no comentário que você fez no meu blog, haha~ Gostei do texto, mas ao longo de toda a leitura me lembrei do talvez entre aspas xD