Quando conhecemos um ser especial, vivenciamos somente uma certeza: na nossa vida, ainda que nas entrelinhas, há para ele um pequenino espaço especialmente reservado. É como se houvéssemos esperado por todo o tempo - e continuamos sempre esperando - ignorando por completo que, por mais que completos, alguém nos viria a ali completar.
Quando conhecemos um ser especial, às vezes demoramos para reconhecê-lo, uma vez que apesar de especial, não há nele sequer um quê de mágico, exceto talvez a magia de tanto ser parte da nossa vida de outrem.
Quando conhecemos um ser especial, é como se uma verdade perenemente iluminada, e contudo ainda invisível, se tornasse mais tangível, como se de alguma forma mutuamente esticássemos nossos braços a ficar algo que mais perto.
Quando conhecemos um ser especial, sabemos que se fica ou se passa, se chora ou ri, se repousa ou dança, se compartilha o milagre da vida ou aceita o destino da morte, dentro de nós ele se edifica, e de maneiras quase metafísicas sua presença nunca perecerá (apesar daquilo que chamamos saudade).
Quando conhecemos um ser especial, aprendemos então que o real sentido do ser é viver com, e, acima de tudo, estamos sempre juntos, mesmo que a triste dobra do espaço-tempo não assim nos tenha permitido.