"Era um belo dia do rigoroso inverno que passávamos. A neve a tudo cobria com seu manto branco. A paisagem era sim, muito bela. Mas eu estava feliz por outro motivo. Estava ali por outro motivo. Era dia dos namorados. Pouco mais de uma semana fazia que havíamos começado a namorar, e estava tudo em seu mais perfeito lugar. Tudo era maravilhosamente novo e eterno para nós dois. E eu ali, sentado no telhado, quase imóvel, a observar aquela belíssima paisagem. Uma fina neve caía sobre meus cabelos cor de cobre, mas eu sequer me importava. Mantinha um sorriso estampado no rosto, apesar do frio que se passava lá em cima. A casa era no topo de uma pequena montanha, nada muito alto, mas o suficiente para que pudéssemos ver toda a pequena vila lá embaixo, totalmente sucumbida à severa força do inverno. E apesar de tudo, eu sorria. Percebi então, que ele subia também no telhado. Havia saído cedo de casa, e eu não o havia visto desde então. "Por que você está aqui em cima?”, me perguntou, sentando-se ao meu lado. Sem ao menos virar o rosto, para que não perdesse aquele momento tão frágil e efêmero de contemplação, deitei em seu ombro e sussurrei “Como é lindo...”
Aos poucos, percebi que estava um pouco nervoso, que seu coração palpitava acelerado, aparentemente sem motivos, e então o olhei interrogativamente e perguntei o que era. Ele estendeu a mão com um belo, mas simples embrulho. Um papel cor de prata envolvia o misterioso presente delicadamente atado com uma fita vermelha. “Passei a manhã inteira procurando isto... para você” Por alguns instantes fiquei sem saber o que falar. Realmente, ele, com tão pouco tempo de namoro, já conseguia mesmo me surpreender. Minhas mãos ansiosas tomaram o embrulho das dele, e começam a desfazê-lo, curiosas quanto ao seu conteúdo. Li a dedicatória com olhos veementes e, sem reação, me joguei aos seus braços num abraço que de tão aconchegante nunca mais pôde me sair da memória, mesmo fraca. Murmurei então, trêmulo de emoção, fitando o pequenino livro de cabeceira com o título desenhado em letras de outro: “Lembranças”:
“Eu... Eu te amo.”"
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