Ei, você! Está na hora de acordar e viver. De que te vale o teu sono perpétuo de morte e segurança? Vem, te levanta. Duvido que tens coragem de estufar o peito e te arriscar. Teu medo não vale nada, nem sequer mais que aquele momento místico que tua embaçada visão não te deixou ver. Vem, te levanta. Algum dia o sol vai sorrir pra ti, e serás incapaz de sorrir a um belo dia. Vives imerso em teus pensamentos egoístas e, cego, não vês que te afogas. Num mar de pérfidos amores e dolosos olores estás à deriva e ninguém se importa, nem mesmo você. Mas você chora e grita e chama e clama. E ninguém vê. Teus esforços são em vão se procuras um farol em ilha alheia. Vem, te levanta. Posso ver-te perdendo-se no teu próprio perfeito devir de enganar ao que procuras a entrada para a estrada do nunca mais. Teu céu de diamantes perde-se num véu de nuvens finas da convenção e da norma e, de repente, não mais mais consegue ver o que está por baixo. Vem, te levanta. Sou eu quem te chama para viver. Para criar tuas próprias regras, teus próprios desafios, tua própria arte. Vem, te levanta. Olhe um pouco para si mesmo, e encontrarás a mim, bem lá no fundo, pedindo para não morrer. Homeopaticamente envenenado, me calo aos poucos, mas não antes sem meu último pranto, para que percebas que aqui existe teu verdadeiro eu, já que na frente do espelho você é incapaz de olhar dentro de teus próprios olhos e sorrir.
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Um comentário:
Texto lindo.
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