Dunas

Ventava muito. Talvez mais do que da última vez que visitara aquelas dunas. A areia alva pegava carona com a forte ventania provocando tempestade baixa. Mirava o nada e sentia a fraca massagem da areia nos tornozelos. Iria enterrar aquilo. Havia prometido a si mesmo que iria. E às amigas também. Ele não as deixou ler o bilhete que trazia no bolso, mas mesmo assim elas vieram com ele. Trouxeram seus bilhetes, mas ele não se importava muito, já focalizava outras idéias. E se alguém lesse? Não saberia que teria sido ele. E se, por instância, soubesse? Não haveria como descobrir o porquê ou como provar que havia sido ele o autor. Estava tudo perfeito.
"Vamos! Enterra logo!" uma das amigas, impaciente, chamou.
Sem responder, ele abaixou e cavou um pequeno buraco. Deixou o papel dedicadamente dobrado ali. O nome do destinatário foi, aos poucos, sendo coberto com areia, e foi sobre a mesma que assinou um símbolo e saiu. Aos poucos, a areia cobriu a assinatura que desapareceu entre os grãos. Ventava muito.

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