Tratado de suave alegria

Um sorriso em palavras.

Pois é

Pois é. Acho que eu gosto muito de começar com 'pois é'. De qualquer maneira, cá estou eu novamente, acordado numa manhã de domingo, depois de ter dormido 3 horas da manhã ontem. Super característico. Pois é. Raiva de alguém, mágoa, não sei dizer. Só sei que não estou muito bem, obviamente. Cabeça cheia de informações, de falta de informações e de não entender muita coisa. As coisas realmente não fazem muito muito sentido, creio. Não sei se é culpa ou drama meu. Não sei se estou overreacting (superreagindo, diria um amigo meu), ou se eu simplesmente eu me deixei sentir demais em tão pouco tempo. Mas me deixei sim, e foi muito legal. Valeu bastante à pena. Mentira, não tenho nem tanta certeza. Pela primeira vez talvez eu tenho dúvidas se valeu mesmo à pena. Ah, ok, agora eu estou sendo altamente dramático. Aliás, altamente dramático. Sem drama, sem fantasia, vamos. Acho que estou preso nos dois. Como fazer? Eu queria só dormir agora, juro. Ia ser tão simples, mas é só ter um segundo acordado, que ele me ocupa a cabeça, e não é só de hoje. Eu gostei muito do que aconteceu, da surpresa, da vida tentar se provar que não é o caso que ela não é assim tão imprevisível. Parabéns, quite an act, eu diria. Foi realmente surpreendente isso tudo. Mas considerando as circunstâncias, eu tou começando a querer não entender mais, aliás, tou começando a não querer mais ter esperança. Murro em ponta de faca, cabeçada na parede, sei lá. 09:09. Pois é.

Ensaio eleata sobre o amor

Quando menos percebi, estava pensando o amor. Comecei acreditando que perdi o chão. O amor havia perdido sua dimensão mágica, mítica, perfeita. De repente, as cortinas se fechavam, o espetáculo terminava e não havia nenhum aplauso. Brinquei não me importar, fingir que cresci, mudei, segui e deixei, mas acho que me é impossível me enganar. Me alimentava daquilo, vivia daquela esperança, e vê-la morrer, era mais do que estar morta, mas me ver morrer, agonizar, pedir ajuda e ninguém mais ver. Comecei por poucos versos, um ou dois, com pouca conexão, mas eram tudo para mim. Um desabafo, um choro, uma esperança. De repente, estavam lá, imortalizados. Nascidos de mim e ali, perfeitos. Quando menos percebi, não podia mais parar. Era um vício, uma droga, um nirvana orgásmico que eu simplesmente não mais poderia viver sem. Uma ascese do meu sofrimento e da minha realidade que me punha a andar em nuvens, noutro lugar onde o tempo não passa nem pára, e o repouso e a cinética se fundiam num só. Criava sonhos, moldava personagens, dançava entre os sentimentos, engrandecia e diminuía idéias, pessoas e números, brincava com rimas e era, no meu próprio mundo, algo como uma deusa. Percebi, muito depois, que estava a representar. Ensaiava o perfeito, o mítico, o divino. E então, ali estava ele. Eu ensaiava o amor. E era ele que me punha a fazê-lo. Para que eu provasse a mim mesma que ele estava ali, dentro e fora de mim. Meu chão estava perdido, as cortinas não se fecharam e os aplausos ressoavam sonoros. O espetáculo estava longe do fim. Era eterno. Não fui eu quem o havia feito nascer, e nem por mim ele se faria morto. Se ele ignorava essas duas dimensões, burra fui eu de pensar na existência delas e, ainda por cima, tendo-me como testemunha. E era por isso que eu escrevia, por isso que eu versava. Porque alguém, em algum lugar, em alguma era, de alguma forma, estava a torná-lo real, porque assim ele o obrigava. Nós os tornávamos real, de nosso jeito único, motivados simplesmente pela sua existência, que por sua vez era, por aquilo que afirmávamos. Quero dizer, não era, amava. O amor ama eterno, sem início e sem fim; sem antes e sem depois; sem falhas e sem diferenças; sem mito e sem razão; sem nada além do seu amor. E o amor ama, porque a falta dele não o faz. E quando menos percebi, estava pensando o amor. Quando menos percebi, estava amando o amor.

Alternâncias

Se eu pudesse lhe dizer com uma palavra o que eu sinto agora, teria apenas uma certeza: haverei de discordar mais tarde. É simples assim, e tão complicado que uma única palavra estaria (possivelmente, pois senão novamente entraria em contradição, caso contasse com a certeza) fadada à posterior refutação. Seria uma insinceridade, ou até pior, seria de má-fé da minha parte não admiti-lo. O desequilíbrio entre a auto-suficiência da plenitude de afirmar a felicidade dependente apenas de um individual e particular estado de espírito e a carência máxima do desespero contido da necessidade de um abraço nunca talvez me foi tão evidente. A batida que alterna entre o passado e o futuro, a nostalgia e a esperança está descompassada, e o atual, o presente, o personificado aqui e agora se perde nessa dança desritmada. E não menos importante que as outras, se mostra mais uma vez minha querida oposição - o abraço da tensão da intensidade me envolve e abarca todo o meu ser, forçando a minha alma à mais completa e baixa submissão e mesmo que por um único instante anseia, mesmo escondido, pelo beijo do alívio, se degladia com o seu imponente recém-revelado fantasma da pureza, do desejo mais belo e doce que me assombra com o uivo de maior suavidade que se pode imaginar. Nessa batalha se apoiam todos os meus desejos, pensamentos e ações, e aquilo que me guia, minha mão condutora, treme, tropeça, mal faz mais que balbuciar uma ordem, tão logo quanto me ordena a abandoná-la e quando muito, consegue, depois de muitos rounds, chegar à sua primeira quase certeza: a verdade de que, defronte a constatação dessa constante alternância de pretensos vencedores, o juiz é levado a querer, despretensiosamente, declarar o empate.

Carta a um amor antigo

Belo Horizonte, 15 de fevereiro de 2009.

Querido amor,
Se essa carta chegou até as suas mãos, você deve ser uma das seis pessoas mais importantes da minha vida até hoje. Com certeza, você foi uma das pessoas com quem eu mais aprendi e cresci, mesmo que talvez você não saiba disso. Foi na sua particularidade de ser quem você é e de ter vivido um amor incomparável é que me fez te ver da forma como eu o vejo e que fez você conquistar um pequeno lugar no meu coração.
Eu queria que você soubesse que eu nunca deixei de te amar, e acho que nem conseguiria, já que te amar faz e sempre fez parte de mim desde que você apareceu na minha vida. Você me ajudou a ser e a me formar como eu sou, e acredito que sempre estará dentro de mim. Quero que você saiba também que sempre serei fiel ao nosso amor, mesmo que, em páginas, a nossa história tenha sido limitada por algum motivo. Uma história que só nós sabemos o quão linda foi e que eu tenho extremo orgulho de ser co-autor.

Uma história que, independentemente das circunstâncias, eu irei para sempre me lembrar...
Seja na certeza que sempre vai haver alguém que vai cuidar de mim, mesmo quando eu não precisar, e que vai fazer questão de me acompanhar em tudo aquilo que for mais ou até menos importante para mim, só para sorrir quando meus olhos brilharem;
Seja no carinho de uma rua abandonada no alto da cidade, onde nos contamos as nossas histórias, deitados um no colo do outro, num amor de verão e numa flor ocasional no fim da noite, entregue ante a surpresa de um sorriso;
Seja no estender da própria roupa na areia da praia para que nós pudéssemos sentar sob as estrelas, e eu então me sentir amado pela primeira vez ao ser abraçado fortemente ao entregar os pequenos colares com os nossos nomes gravados;
Seja em diversas ligações feitas de muito longe, gastando diversos cartões, numa pontualidade quase religiosa, e a presença marcada em várias das competições mais estúpidas, mas que podiam significar o mundo para nós, regada pelas noites acordadas pelo motivo mais estúpido, sempre compensadas por longas manhãs de sono que descansavam para mais;
Seja nas mais acaloradas discussões sobre o mundo, a vida e ainda nós mesmos, que mesmo tomando dimensões às vezes desproporcionais ao que esperávamos (e às vezes reações que não gostaríamos de ter tido), que no fim de tudo poderiam terminar com os maiores momentos de cumplicidade, desabafo, apoio e auto-conhecimento do mundo, onde um olhar, um abraço, ou um dos diversos presentes inventados, improvisados, comprados ou vivenciados já mostrava valer a pena;
Seja no beijo roubado numa esquina, já altas horas da noite, ou no sorriso sem-graça trocado em olhares mais do que cúmplices, naquele que acreditávamos ser o nosso 'amor-proibido', mas que simplesmente parecia certo e perfeito nas várias noites e 'prestações até se perder de vista'.

Por isso e, claro, por muito mais, eu queria simplesmente agradecer, por você ser tão maravilhoso e ter me permitido te amar, enquanto construíamos a nossa história da forma mais perfeita que poderíamos: juntos.

Obrigado,
Ma, Mah, Theu, Theus, Má-theus.

Letícia, não Caio

Contra qualquer simbologia (ou talvez mais a favor que à primeira vista) que eu poderia utilizar para justificar esse momento alego: quero Letícia, não Caio. Tenho necessidade sim de expurgar tudo aquilo que carrego dentro de mim e que pouco quero, e que me faz mal e me corrói aos poucos, uma necessidade de purificação quase catártica que me traz aqui, para esse texto, para esse momento. Mas não aguento mais Caio, não aguento mais o profundo, o submerso, o pútrido, o indecente, o nojento. O fundo do mar não tem mais que ser escuro. Por que não um processo de cura, de revitalização, de emersão que seja tingido dos mais claros azuis? O azul por si mesmo já contém tudo que uma semiótica das tonalidades poderia me oferecer, independentemente de sua tonalidade. Reinvindico, nesse instante, mais Letícia, tentando, quem sabe, inaugurar na própria reinvindicação até o primeiro passo vermelho-escuro contido nela própria (Desculpe-me pelo roubo de imagens, Caio). Contra todo o passado, contra toda a nostalgia, contra todo o desespero que se dissolve somente para se difundir e tomar conta de tudo ao recurso do que já foi ser, escrevo novamente. Aceito tanto quanto inauguro a mudança, mas não a mesma mudança, proponho a mim mesmo a mudança da própria mudança e espero com isso achar um pouco de esperança. Entre o tempo inerte e a atitude pretensiosa, tento encontrar o agora exatamente no entremeio, um pouco ainda sem-sentido, com pouca convicção até, mais caótico que nunca talvez. Me vejo então por fim, de volta a Caio, num movimento próximo do de ontem, do do ontem, mas contudo, contrariando Caio no seu último reduto: o meu caos, nesse momento, não é compreensão: é, mesmo que tentativa, mesmo que do mesmo, reinvenção.

O Meu Novo Novo Amor

O meu novo novo amor é um amor de carinhos. Um amor atencioso, respeitoso, tenro e suave. Um amor de abraços, olhares e beijinhos, onde poucas palavras precisam ser ditas, ouvidas ou discutidas. O meu novo novo amor é um amor jovem, por vezes até ingênuo, onde a esperança vale mais que mil medos e a saudade é o bastante para que não haja problemas. O meu novo novo amor é um amor de muitas flores e alguns frutos, um amor onde o romance da primavera e a sobriedade do outono se casam de forma tão fantástica que o sonho e a espera fazem o vir-a-ser do florecer o momento mais especial do ano. Antes de magnitude, ele nos traz a sua mais tranqüila beleza, pintada pelos olhos mais sinceros e serenos de quem verdadeiramente o vê. O meu novo novo amor é um amor, por que não, sereno. Um amor de águas rasas, onde se esconde o tesouro das conchas raras que a onda ameaça levar a cada momento do frágil castelo que construímos. O meu mais novo amor é um amor delicado. O meu mais novo amor é um amor dedicado. É um amor que esconde, espera, anseia, aguarda e caminha. É um amor que, como muitos outros, está fadado a terminar, mas ao contrário da maioria, tenho certeza, dele, nenhum dos dois se esquecerá.